Câncer de bexiga: sinais de alerta e fatores de risco
- Dra. Carolina Figurelli

- 24 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 11 de fev.
O câncer de bexiga é uma doença que costuma se manifestar de forma silenciosa nos estágios iniciais, mas que pode trazer grandes impactos à saúde se não for diagnosticado precocemente. Por isso, é essencial conhecer seus principais sinais de alerta e fatores de risco.
Neste artigo, a Dra. Carolina Figurelli, urologista em Porto Alegre, explica o que é o câncer de bexiga, quais sintomas merecem atenção e quais hábitos aumentam a chance de desenvolver a doença.

O que é o câncer de bexiga?
O câncer de bexiga acontece quando células da mucosa que reveste a parede interna da bexiga começam a se multiplicar de forma anormal e descontrolada, formando tumores. A bexiga é o órgão responsável por armazenar a urina produzida pelos rins antes de ser eliminada pela uretra.
É mais comum em pessoas acima dos 55 anos e tem maior incidência em homens — cerca de 3 a 4 vezes mais frequente do que em mulheres. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra aproximadamente 11 mil novos casos por ano.
A boa notícia é que cerca de 75% dos casos são diagnosticados em fases iniciais, quando o tumor ainda está restrito à camada superficial da bexiga. Nesses casos, as chances de tratamento bem-sucedido são significativamente maiores.
Tipos de câncer de bexiga
Existem diferentes tipos, classificados de acordo com o tipo de célula afetada:
Carcinoma urotelial: o mais comum (90% dos casos), origina-se nas células que revestem o interior da bexiga
Carcinoma de células escamosas: mais raro, geralmente associado a infecções crônicas ou irritação prolongada
Adenocarcinoma: bastante raro, originado nas células glandulares da bexiga
Tumores superficiais ficam restritos à mucosa, enquanto tumores invasivos penetram camadas mais profundas da parede da bexiga e podem se espalhar para outros órgãos.
Sinais de alerta: quando procurar ajuda
Alguns sintomas podem indicar o câncer de bexiga e não devem ser ignorados:
Sangue na urina (hematúria): o sinal mais comum. Pode ser visível a olho nu ou detectado apenas em exame de urina. Frequentemente é indolor, o que faz muitas pessoas adiarem a consulta
Urgência urinária: vontade repentina e frequente de urinar, mesmo com pouca urina na bexiga
Dor ou ardência ao urinar: pode ser confundida com infecção urinária, mas quando persiste após antibióticos, deve ser investigada
Dor pélvica ou lombar: pode indicar estágio mais avançado do tumor
Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
Esses sintomas também podem estar relacionados a condições benignas como infecção urinária, cistite ou cálculos renais. Apenas o urologista pode fazer a investigação correta.

Principais fatores de risco
Tabagismo: principal fator de risco, responsável por cerca de 50% dos casos. Substâncias tóxicas do cigarro são filtradas pelos rins e se acumulam na urina, em contato prolongado com a mucosa da bexiga
Exposição ocupacional: contato frequente com aminas aromáticas, corantes, tintas, borracha e derivados do petróleo
Idade e sexo: homens acima de 55 anos são os mais acometidos
Histórico familiar: parentes de primeiro grau com câncer de bexiga aumentam a probabilidade
Infecções crônicas: uso prolongado de sonda vesical, cistites de repetição e cálculos na bexiga
O INCA reforça que evitar o tabagismo é a principal medida de prevenção.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico envolve uma combinação de exames:
Exame de urina (EAS e citologia urinária): detecta sangue oculto e células anormais
Ultrassonografia: exame não invasivo que identifica massas ou irregularidades na bexiga
Cistoscopia: exame padrão-ouro. Uma câmera é introduzida pela uretra para visualizar o interior da bexiga e coletar biópsias quando necessário
Tomografia computadorizada: avalia a extensão do tumor e verifica disseminação
Tratamento do câncer de bexiga
O tratamento depende do estágio e do grau do tumor:
Tumores superficiais: tratados com ressecção transuretral (RTU), procedimento endoscópico sem cortes externos. Pode ser complementado com BCG ou quimioterapia intravesical
Tumores invasivos: podem exigir cistectomia radical (remoção da bexiga), associada a quimioterapia e/ou imunoterapia
Tumores avançados: quimioterapia sistêmica, imunoterapia ou radioterapia conforme cada caso
Prevenção e cuidados
Não fumar ou parar de fumar é a medida mais importante
Beber bastante água para diluir substâncias na urina
Usar equipamentos de proteção em ambientes com químicos
Realizar check-up urológico regular após os 50 anos
Investigar qualquer episódio de sangue na urina, mesmo que ocorra uma única vez
O câncer de bexiga pode ser silencioso no início, mas traz sinais importantes que não devem ser ignorados. A prevenção está ligada a hábitos de vida saudáveis e à realização de consultas regulares com o urologista. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de tratamento bem-sucedido.
A Dra. Carolina Figurelli é urologista em Porto Alegre e atua no diagnóstico e tratamento de doenças da bexiga. Agende sua consulta e cuide da sua saúde urológica.



